Veja quais fatores ajudam ou atrapalham quem deseja ampliar a família.

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A ciência assina embaixo: existem hábitos e atitudes que aumentam a fertilidade. Por isso, respondemos as principais dúvidas que pairam na cabeça dos casais quando pinta a vontade de ter filhos. Olha só:

1. Há momento e frequência certos para fazer o bebê?

Sim. É o que afirma um documento recém-publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, que traz conselhos para elevar as chances de sucesso da concepção. A entidade recomenda respeitar a janela fértil e ter uma relação sexual por dia ou a cada dois nessa fase.

A janela fértil é o período de seis dias que se inicia, em média, duas semanas após a menstruação. Nele, ocorre um aumento do muco cervical, que funciona como substrato energético para o espermatozoide – incentivo e tanto para marcar o gol.

“No cenário ideal, a relação sexual deve ocorrer 24 a 36 horas antes da ovulação. Assim, quando a mulher ovular, o espermatozóide já está na trompa à espera do óvulo”, explica o ginecologista Alvaro Petracco, diretor do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva, em Porto Alegre.

2. A idade importa só para a mulher?

Não é por aí. Novos estudos começam a mudar a percepção de que o avanço dos anos pesa mais para elas. Uma pesquisa recente da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, indica que mulheres de 35 a 40 anos que tentam engravidar com homens da mesma idade obtêm êxito em 54% dos casos. Mas, quando os parceiros são mais novos, na casa dos 30 anos, as chances sobem para 70%.

Com o tempo, tanto a quantidade quanto a qualidade do esperma sofrem alterações. A mobilidade das células sexuais pode cair até 37% em homens de 50 anos. Hoje, a orientação é que o casal procure um especialista após seis meses de tentativas frustradas quando as velinhas da mulher somarem 40. A dica é não perder tempo. Com acompanhamento, aumentamos a taxa de sucesso.

3. Testes para o período fértil valem a pena?

Sim. O mais certeiro mesmo é o exame de ultrassom. Existem, no entanto, métodos realizados em casa que também funcionam. Um deles mensura o hormônio luteinizante (LH). Por meio da urina, a mulher pode identificar um aumento do LH, que ocorre de 24 a 48 horas antes da ovulação – é o momento-chave para a fecundação.

Observar o muco cervical é outra possibilidade. No pico de fertilidade, a secreção fica mais volumosa, com tom claro e textura escorregadia. Há evidências de que as chances de concepção aumentam quase 30% nos dias em que se percebe esse tipo de líquido.

4. Lubrificantes vaginais não são indicados?

Melhor deixá-los na gaveta se a ideia é ter bebês. Já há um consenso de que eles não devem ser usados nessa fase. “Isso porque são tóxicos para o espermatozoide”, explica o ginecologista João Pedro Junqueira Caetano, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH). Um trabalho da Universidade do Texas, em solo americano, concluiu que lubrificantes à base de água inibiram de 60 a 100% a movimentação de espermatozoides no laboratório.

Géis, óleos especiais e saliva prejudicaram em 6,25%. Só o óleo mineral não causou danos. A recomendação é que casais com problemas de fertilidade não devem utilizar esses produtos.

5. Excesso de peso diminui as chances mesmo?

Sim. Ter uma boa fertilidade depende de um trabalho afinado da nossa orquestra hormonal. E a obesidade desregula essa sinfonia, além de criar um cenário inflamatório péssimo para os nossos gametas. São mudanças que afetam pra valer a ovulação e a quantidade e a qualidade do sêmen.

“Homens com IMC acima de 35 têm uma probabilidade muito maior de ficar sem nenhum espermatozoide”, afirma Edson Borges, chefe do Departamento de Infertilidade da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Já as mulheres sofrem com menstruação irregular e maior risco de aborto espontâneo.

6. Atividade física ajuda pra valer?

Se for regular e moderada, sim. Suar a camisa aprimora a circulação, a oxigenação das células e o aproveitamento de glicose. Ponto para os óvulos e espermatozoides. Um experimento australiano com 67 mulheres obesas em tratamento para engravidar identificou que aquelas que passaram por um programa de seis meses de exercícios e reeducação alimentar apresentaram taxa de sucesso superior.

Só não pode se matar na academia!

“Mulheres muito magras, anoréxicas ou maratonistas não têm muita gordura corporal. Só que os hormônios precisam dessa reserva. Sem ela, algumas até param de ovular”, diz o especialista em reprodução Marcio Coslovsky, da Clínica Primórdia, no Rio de Janeiro.

7. Anabolizante deixa os homens menos férteis?

Sim, senhor! E mulheres que fazem uso também sofrem consequências. Ao recorrer a anabolizantes à base de testosterona, os mais comuns, o corpo entende que há hormônio além da conta e cessa a produção natural. Os testículos param de fabricá-lo e, em ritmo de greve, deixam de gerar também os espermatozoides – atrofiam literalmente.

“Eles podem voltar ao normal, mas tudo vai depender das doses e do tempo de utilização”, esclarece Valter Javaroni, chefe do Departamento de Medicina Sexual e Infertilidade da SBU no Rio. E a ala feminina? “Na mulher, essas substâncias causam irregularidades no ciclo menstrual”, avisa.

8. As DSTs se intrometem nessa história?

Com certeza. As principais vilãs são a clamídia, a gonorreia e a sífilis. As bactérias por trás dessas doenças sexualmente transmissíveis desgovernam a produção, o armazenamento e a trajetória dos gametas.

Na mulher, podem atacar as trompas, enquanto no homem inflamam o epidídimo, tubo localizado atrás do testículo que armazena e transporta os espermatozoides, ou o próprio testículo. A clamídia é uma das mais preocupantes, por não apresentar tantos sintomas. Daí a importância de um checkup anual a fim de flagrar e tratar as infecções a tempo de elas não afetarem a fertilidade do casal.

9. Há alimentos bons para a fertilidade?

Ingredientes específicos para ajudar a engravidar não passam de mito, segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

“Tem gente que diz que o vinho ajuda a engravidar, mas, na verdade, ele só desinibe as pessoas a ter mais atividade sexual”, exemplifica Caetano.

O que faria diferença é manter uma dieta equilibrada. A boa alimentação auxilia a evitar o estresse oxidativo, que causa danos às células. E o conselho é o mesmo dado para zelar pela saúde em geral: evite os produtos ultraprocessados e invista mais em frutas, verduras, grãos integrais e carnes magras. Até a próxima geração irá agradecer.

O que sabota a fertilidade pra valer

Abuso de álcool: Quem bebe demais vê a ameaça de infertilidade crescer 60%.

Obesidade: Dobra o tempo para a mulher conseguir engravidar.

Muita cafeína: Exagerar no café e em energéticos reduz a fecundidade em 45%.

Cigarro: Aumenta a propensão à infertilidade em cerca de 60%.

Agentes tóxicos: Solventes e outros materiais agravam o problema em 40%.

Drogas: Substâncias ilícitas elevam o risco de dificuldades em 70%.

As principais causas de infertilidade

Nas mulheres

Inflamação da pelve: consequência de infecções bacterianas, como a clamídia, chega a comprometer os órgãos reprodutivos.

Endometriose: o extravasamento do tecido do útero pode levar a bloqueios na trompa, impedindo a fecundação.

Problemas de ovulação: distúrbios hormonais, envelhecimento e estilo de vida desequilibrado estão por trás deles.

Nos homens

Varicocele: doença, que provoca dilatação das veias dos testículos, afeta com frequência a qualidade do sêmen.

Infecções: podem interferir com a produção e a passagem do esperma. As principais são a gonorreia e a clamídia.

Azoospermia: refere-se à ausência de espermatozoides no sêmen. Atinge cerca de 20% dos homens inférteis.

Quando o médico entra em cena

Estimulação ovariana: Remédios induzem a mulher a liberar mais de um óvulo em um ciclo menstrual, o que facilita a concepção.

Inseminação artificial: Espermatozoides são implantados já no útero para abreviar a viagem até o óvulo e aumentar a taxa de sucesso.

Fertilização in vitro: Óvulos são fecundados pelos espermatozoides em laboratório. Daí o embrião pode ser implantado no útero.

Injeção intracito-plasmática: Usada quando há poucas células sexuais. Em laboratório, o espermatozóide é injetado direto no óvulo.

Fonte: Saúde Abril
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Mulheres – Cuide do seu CORAÇÃO

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Nova pesquisa revela quais os percalços no dia a dia que mais patrocinam fatores de risco por trás de problemas cardiovasculares entre o sexo feminino

Excesso de trabalho, conflitos familiares, ansiedade, violência e mobilidade urbana estão deixando as brasileiras à beira de um ataque… Cardíaco.

O alerta vem de um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica(SBCM), que submeteu 692 voluntárias a um questionário a fim de encontrar uma explicação para o alto índice de panes no peito da ala feminina.

O primeiro dado que chama a atenção é o fato de 55% das entrevistadas trabalharem mais de oito horas por dia. Não à toa, quase 70% acusam o serviço como o grande motivo pelo estresse, uma baita ameaça ao peito. Essas preocupações com o emprego, aliás, lideram o ranking de instigadores da tensão.

Em segundo lugar para a causa do estresse vem a ansiedade, lembrada por mais de 50% da ala feminina. Família (39%), violência (36%) e o trânsito (29%) surgem na sequência.

Só não pense que o nervosismo do dia a dia é o único vilão do coração da mulher: aproximadamente 70% das entrevistadas têm histórico de hipertensão e doenças cardíacas na família, 42% consomem bebidas alcoólicas e 45% dormem menos de seis horas por noite – o ideal seria de sete a nove.

“Para mudar esse cenário, estamos trabalhando na Campanha Mulher Coração, cujo objetivo é promover a importância de adotar um estilo de vida saudável e passar por um checkup regularmente”, informa Antonio Carlos Lopes, presidente da SBCM, em São Paulo.

Por ano, cerca de 17,5 milhões de pessoas morrem em decorrência de algum problema cardiovascular. Dessas, quase metade pertence ao sexo feminino — número tão expressivo quanto o estrago causado pelos tumores de mama e útero juntos. Só no Brasil, as cardiopatias chegam a ser responsáveis por três a cada dez mortes em mulheres com mais de 40 anos. É o maior índice registrado na América Latina.

O lado B(om) da pesquisa

85% das entrevistadas não são fumantes

77% investem em atividades de lazer para relaxar

71% das participantes que passaram dos 45 anos já foram a um clínico geral ou cardiologista para fazer os exames necessários

61% praticam exercício físico pelo menos uma ou duas vezes por semana

 

Fonte: Saúde Abril

Exames de sangue que medem o estresse muscular garantem melhor performance e reduz lesões

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Quem leva uma vida saudável com a pratica de exercícios físicos deve sempre ficar atento aos sinais do corpo para evitar lesões e para manter melhor performance durante as atividades.

Para isso, existem exames de sangue que podem ajudar nessas ações, medindo o estresse muscular. Entre eles está a Creatina-quinase ou CK é uma enzima importante que desempenha um papel na alimentação de energia dos músculos. É encontrada em todos os músculos do corpo, inclusive no cérebro. No dano de células musculares, a concentração de CK aumenta no sangue podendo, assim, ser medida através de um exame. O exame de sangue CK mede a lesão celular do músculo.  A quantidade de valores de Creatina-quinase é uma medida dos danos para as células musculares. Por isso é um exame importante para quem pratica exercícios físicos regularmente.

Outro exame de sangue importante para quem é adepto à pratica dos exercícios físicos é o ácido lático, que mede o estresse muscular, ou seja, o esgotamento das células musculares causado pelo exercício físico excessivo, ou seja que ultrapassa a capacidade muscular.

O ácido lático é o produto final do metabolismo anaeróbio e seus níveis estão relacionados à disponibilidade de oxigênio. É um intermediário do metabolismo dos carboidratos, sendo o principal metabolismo da glicose em anaerobiose, isto na ausência de oxigênio. Valores elevados são encontrados no pós-prandial, após exercícios físicos.

Os dois exames são ideais para nadadores, corredores, ciclistas, triatletas, entre outros esportistas, durante e no final do exercício, pois indicam estresse muscular intenso.

Mas para quem pratica exercícios na academia, esses exames também são fundamentais para acompanhar se a carga de trabalho não é excessiva para hipertrofiar os músculos.

Disfarçar alimentos faz bem para a criança?

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Entenda implicações de “camuflar” verduras e legumes; veja dicas para lidar com a seletividade alimentar na infância.

Para que as crianças sejam saudáveis, é fundamental uma rotina alimentar que conte com uma grande variedade de nutrientes, como frutas, verduras, legumes, carboidratos e proteínas. Na teoria, é fácil. Mas, na prática, quem tem filho sabe que nem sempre eles querem comer o que é necessário para o seu desenvolvimento.

“Por volta dos dois anos e meio de idade, elas passam a entender que podem ter vontades diferentes das dos pais e começam a recusar comer coisas novas. No entanto, isso acontece muito mais para ter o controle da situaçãodo que propriamente porque não gostam do alimento”, afirma a psicóloga Denise Ely Bellotto de Moraes, doutora em ciências pela Unifesp, coordenadora do setor de psicologia da disciplina de nutrologia do departamento de pediatria e psicóloga clínica.

De acordo com ela, essa resistência pode ser observada em outras esferas, como a criança se recusar a tomar banho, a dormir ou a escovar os dentes, ou querer usar a mesma roupa todos os dias. Por sorte, esse período costuma durar até os três anos, quando a criança começa a ficar mais flexível.

A nutricionista Tatiana Damasceno, do Instituto Movere, alerta que pode acontecer de a criança adquirir uma seletividade alimentar porque um adulto ofereceu o alimento de forma inadequada, forçando a criança a aceitar o alimento contra sua vontade, justamente para desestimular essa atitude. Esse tipo de hábito, na maioria das vezes, passa despercebido pelos pais. E então, ao invés de detectarem o problema e tentarem contornar a situação para que a criança experimente outros alimentos, tomam o caminho o contrário e acabam impondo sua vontade, reprimindo mais ainda o comportamento dela.

Camuflar alimentos

Para não pressionar, muitos pais veem como alternativa camuflar os alimentos, fazendo com que não fiquem visíveis para as crianças e até mentem caso elas perguntem se determinado ingrediente foi colocado na comida. No entanto, essa iniciativa pode trazer mais prejuízos do que benefícios.

“Quando um adulto faz um ‘jogo’ para que uma criança coma, estabelece uma relação mentirosa com ela. Os adultos têm como função nomear o mundo para as crianças, por isso é ideal que digam sempre a verdade”, afirma a psicóloga Denise.

Da mesma forma, caso o alimento escondido seja descoberto pode deixar a criança chateada, fazendo com que se sinta enganada pelos próprios pais. O fato pode fazer também com que as refeições se tornem um momento de estresse, pois ela não sabe o que vai encontrar no prato.

A gente sabe da dificuldade que é educar uma criança e que os pais fazem tudo sempre visando o melhor, mas submeter a criança a situações as quais ela se sente desconfortável não soluciona a situação, principalmente quando o problema diz respeito a uma pessoa em formação.

Além disso, o paladar começa a ser moldado na infância. Se a criança não sabe o sabor real de um alimento, terá mais dificuldades para desenvolver gostos e hábitos saudáveis para levar para a vida adulta. Por isso é tão importante investir na qualidade nutricional nos primeiros anos de vida.

criança

E por mais que os pais tentem explicar a importância do consumo de alimentos saudáveis, muitas vezes, não conseguem fazer com que os filhos concordem e aceitem comer. Quando se fala em recusa, é importante levar em conta o momento no desenvolvimento que a criança se encontra.

A pergunta que fica é: afinal, como lidar com a seletividade alimentar das crianças de uma forma saudável? A seguir você encontra dicas para tornar a hora de comer um momento agradável para pais e filhos:

1. Invente novas formas de apresentar um alimento

Existem vários motivos pelos quais as crianças podem não gostar de um alimento. A parte boa é que existem muitas maneiras diferentes de prepará-lo.

Sendo assim, se você percebeu que em casa as crianças apresentam resistência aos legumes, pode, por exemplo, fazer um suflê, uma carne em que os legumes sejam inclusos no recheio ou até mesmo uma sopa. Agir dessa forma é diferente de fazer um molho de tomate, por exemplo, com diversos legumes para omitir o gosto deles. A preparação pode ser diferente, mas o gosto do alimento não pode sumir.

O pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, do Instituto Pensi, explica que é comum a criança demonstrar resistência, principalmente diante de alimentos novos, por isso é importante introduzir esses itens devagar e de forma carinhosa.

“Quando uma criança recusa um alimento, ele precisa ser oferecido novamente de oito a dez vezes em momentos diferentes e preparado de formas diferentes. Se os pais insistem por um curto período de tempo com o alimento preparado da mesma forma, podem tornar o momento excessivamente desgastante”, alerta o especialista.

2. Sirva outros alimentos do mesmo grupo alimentar

Se a possibilidade de apresentar os alimentos com uma outra carinha foi suficiente para acabar com a resistência alimentar, maravilha. Mas pode acontecer de, mesmo variando na forma de preparo, a criança se recusar a comer o alimento. Se isso acontecer, vale a pena tentar mudar o tipo de alimento a ser servido. Logo, se o pequeno não gosta de feijão, existem outras alternativas tão nutritivas quanto, como lentilha, ervilha ou grão de bico.

Segundo a nutricionista Priscila Maximino, do Instituto Pensi e membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição Infantil, a criança tem que ser respeitada, caso ela não goste de um determinado alimento.

“Os pais devem estabelecer uma relação de confiança com os filhos e pensar em alternativas benéficas para solucionar a questão”, afirma Priscila.

3. Coma o alimento que a criança não quer experimentar

Os pais exercem uma forte influência sobre os hábitos alimentares das crianças. Logo, a primeira coisa a ser feita para que elas comam determinado alimento é ver quem está ao redor delas comendo também. Vale lembrar que, em muitos casos, a criança recusa o alimento sem ao menos ter provado porque os pais já deram um posicionamento negativo em relação a ele. Por isso, na hora da refeição, coma o alimento, comente com quem estiver perto como está gostoso e os benefícios que aquela comida proporciona à saúde.

Essa é uma forma de ensinar a criança de uma forma lúdica e transformar a refeição em um momento de aprendizado e troca.

4. Deixe a criança brincar com a comida

Até adulto concorda que é mais agradável aprender por meio de uma abordagem lúdica. Por isso, a brincadeira é uma forma importante de educar as crianças, mesmo que seja com comida.

Quando a criança recusar experimentar um alimento, deixe que ela pegue a comida com a mão, cheire, cutuque com o garfo e sinta a consistência do alimento. Não precisa chegar ao ponto de estragar a comida, sujar outras pessoas e ter um comportamento inadequado para a hora de comer, basta permitir que ela se familiarize com o que está vendo.

5. Convide a criança para cozinhar

Convidar as crianças para ajudar a preparar os alimentos é uma forma de aumentar o vínculo afetivo com elas e também expandir o paladar dos pequenos. Um dos motivos é que o contato com a comida instiga a curiosidade, pois a prática mexe com os sentidos. Se ela sentir um cheio novo, pode querer experimentar o que está sendo preparado. E mesmo que não aprove o sabor em um primeiro momento, poderá saber que fazendo pequenos ajustes pode adequar o alimento ao seu paladar.

Contar com a ajuda dos pequenos para cozinhar também é uma forma de ensiná-los sobre as propriedades nutricionais dos alimentos. Isso pode ajudá-los a entender a importância de consumir alimentos de diferentes grupos nutricionais.

“Para cada fase do desenvolvimento pode haver um tipo de interação diferente. Os pequenos podem ajudar a escolher os ingredientes e sentir o aroma dos alimentos. Já as crianças maiores, dos seis anos em diante, gostam de alquimias. Elas têm curiosidade em fazer experimentos e podem ajudar a misturar ingredientes”, informa a psicóloga Denise.

Cultivar uma hortinha em casa e mostrar para a criança que é possível colher os alimentos da natureza pode ajudá-la a saber de onde vêm a sua comida. Realizando pequenas mudanças será possível obter grandes transformações.

6. Deixe que a criança coma o quanto ela aguentar

É fundamental os pais educarem as crianças para que elas comam de tudo. No entanto, é necessário prestar atenção para as expectativas depositadas em cima delas. O que acontece é que muitos pais esperam que os filhos entendam o mundo e se alimentem da mesma forma que um adulto e, quando isso não acontece, ficam frustrados e acham que existe algum problema com os filhos.

Portanto, o exercício de consciência é importante. Muitas vezes a criança come pouco não por causa de problemas alimentares ou por não gostar de se alimentar, mas porque o seu senso de saciedade já avisou que ela está satisfeita. Em outros casos, ela não come determinado alimento por não gostar, mas compensa essa ausência ingerindo outros itens tão nutritivos quanto.

Por fim, é importante lembrar que até os adultos, vez ou outra, acabam priorizando alguns alimentos ao invés de outros. Se até quem já é mais experiente faz isso, é preciso ter paciência com as crianças e dar tempo para que elas possam aprimorar seu paladar. O melhor é saber que podem contar com a ajuda dos pais.

Fonte: Minha Vida

5 erros que você não deve repetir neste verão

Sabe aquele tempo em que sua pele terminava o verão pedindo água? Ficou no passado! É possível atravessar a temporada de calor sem sufoco.

Passou o protetor em casa – e o deixou por lá mesmo

A água retira o protetor que você colocou na pele, mesmo se fez isso há pouco tempo. “O ideal é reaplicar o produto a cada duas horas ou ao ter contato com a água”, diz a dermatologista Elisabete Dobao, do Rio de Janeiro.

Nova atitude: Para não correr o risco de manchar a pele enquanto espera o corpo secar, use uma versão em spray, que pode ser aplicada no corpo molhado. “Mesmo os filtros resistentes à água perdem seu efeito após um mergulho”, diz a dermatologista Carla Vidal, de São Paulo. Vale o cuidado também com a areia, que esfolia o protetor para longe de sua pele. Melhor tomar uma ducha antes de aplicar o produto.

Escolheu um filtro só pelo número grande na embalagem

Basear-se apenas no valor do FPS é um perigo! Se seu protetor solar traz a informação do FPS, mas não cita “proteção UVA alta” ou “amplo espectro”, melhor substituí-lo, porque ele até vai proteger sua pele das queimaduras dos raios UVB – porém, não contra os raios UVA, relacionados a envelhecimento e câncer de pele, nem da luz infravermelha, que também deixa você mais velho.

Nova atitude: Preste atenção em outras letrinhas além do FPS: ele protege de queimaduras dos raios UVB, que representam apenas 10% dos raios que recebemos. “Já os UVA, que penetram profundamente na pele e estão ligados ao fotoenvelhecimento precoce e também ao câncer, agem o dia todo. Vale observar também o valor de PPD de seu protetor na embalagem”, diz a dermatologista Flávia Monteiro, do Rio de Janeiro.

Substituiu o protetor facial pela maquiagem com FPS

Por mais que você ame seu BB cream, não confie apenas nesse item para se proteger na praia. Sim, o FPS dele funciona, mas, como geralmente traz um número mais baixo que o dos protetores para o rosto, ele não será suficiente para bloquear a radiação em uma exposição direta ao sol.

Nova atitude: “O ideal, mesmo no dia a dia, é procurar um filtro solar facial com FPS 30, que funciona bem para a maioria dos tipos de pele”, diz Flávia. E, nas férias, aposte em FPS bem mais altos – como 50 ou 70. Não quer que o rosto fique brilhando e pegajoso? Há diversas fórmulas que garantem toque seco e pele com aparência de estar limpa, além de cobrir imperfeições como se fossem uma base.

Leia também: Entenda mais sobre câncer de pele

Ficou exposto o dia todo ao sol

Nada de reservar uma tarde inteirinha para se esticar na areia e garantir a cor do verão. Depois de um tempo, as células da pele atingem um ponto em que não podem mais fabricar melanina, o pigmento bronzeador. “Esse intervalo varia conforme o fototipo de pele da pessoa”, diz Elisabete. Mas o tempo máximo de produção de melanina é cerca de duas horas – um pouco menos em peles mais claras e um pouco mais para as morenas.

Nova atitude: Nada de querer ver o bronzeado na hora! “Existem duas fases para o bronzeamento: uma imediata, quando surge a cor rosada, e a de escurecimento, que só pode ser totalmente visualizada em até 72 horas”, diz Elisabete. As células estimuladas pelo sol necessitam tempo para produzir melanina. “Como apenas uma a cada dez delas têm essa capacidade, elas demoram um pouco para transferir melanina para as demais”, diz Nick Lowe, da Escola de Medicina UCLA, nos EUA. Ou seja, ficar horas sob o sol expõe você a queimaduras, que descascam e acabam com o bronze!

Não aplicou quantidade suficiente de protetor

Aquela espalhadinha apressada que você dá com o creme pode não valer muita coisa. “Ao usar metade da quantidade recomendada, vai acabar com apenas 2/3 da proteção prometida”, diz o dermatologista Nick Lowe. Ou seja, o investimento feito em um filtro solar FPS 30 cai para um FPS 20.

Nova atitude: Para blindar o corpo todo, serão necessárias quase 6 col. (sopa) de protetor: 1 para o tronco, 1 para as costas, 1 para cada perna, ½ colher para cada braço e ½ colher para rosto e pescoço. Se ficar em dúvida, use o truque do branquinho. “Toda superfície da pele que recebe uma camada suficiente do produto tem que mostrar nitidamente a cor dele até que seja absorvido”, diz Elisabete Dobao. Ainda acha que não está usando o suficiente? Uma alternativa é subir o FPS e investir em barreiras físicas contra os raios solares, como óculos e chapéu. Também fique esperto para não deixar alguns pontos do corpo de lado.

Fonte: Cosmopolitan

Ortorexia: estamos ficando doentes de tanto “comer bem”?

Dos 14 aos 16 anos, Anna Júlia Moll comeu frango, batata-doce e brócolis em todas as refeições. Mais precisamente, 100g de frango e 40g de batata-doce e brócolis, pesados numa balança. A carne era temperada apenas com limão, alho e cebola e grelhada numa panela antiaderente sem sal ou óleo. Tudo era preparado pela estudante, moradora de Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre. “Eu não deixava minha mãe fazer porque tinha medo que ela colocasse azeite ou algo que pudesse ‘estragar’ a comida”, conta Anna, hoje com 20 anos. Ela lia as novidades da ciência e sabia que o sal causava “retenção hídrica” e a deixava inchada, e o azeite era culpado pela gordura.

“Tudo o que era gordura era ruim. Ponto”, explicou.

Um dia ela decidiu que não voltaria a comer doces e laticínios. O açúcar era um veneno conhecido, e os derivados do leite tinham um efeito semelhante ao do sal: causavam inchaços indesejados para sua meta de estar em dia com a saúde e a silhueta. Mas, para se convencer mesmo a não ingerir mais nada de iogurte ou brigadeiro, colocou na cabeça que sofria de diabetes e intolerância à lactose, apesar de não ter nenhum sintoma das duas doenças. Se tivesse muita vontade de comer algo da lista proibida, cheirava o prato até a vontade passar. Funcionava.

A mania de comer só o que faz bem à saúde e demonizar certos ingredientes é conhecida por parte da comunidade médica como ortorexia nervosa. A desordem ainda não faz parte do DSM, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a Bíblia da Psiquiatria, o que significa que ainda não há protocolos para diagnosticar e tratar a ortorexia. Mas especialistas acreditam estar diante de uma nova faceta de um transtorno alimentar que começou com a cultura da geração saúde.

O termo foi cunhado pelo médico norte-americano Steven Bratman em 1996 e vem das palavras gregas orthos, que significa certo, e orexis, apetite. Na época, Bratman não tinha intenção de nomear um novo distúrbio, mas preocupava-se com o comportamento peculiar de um grupo de pacientes que chegavam ao seu consultório de medicina alternativa perguntando o que podiam cortar da dieta.

“Era mais como um movimento de contracultura”, escreveu, por e-mail. Mais de 20 anos depois, o fenômeno ganhou proporções epidêmicas. “Hoje, a ortorexia é totalmente mainstream”, disse Bratman. Estima-se que em torno de 1% da população mundial sofra dessa fixação em se alimentar de forma correta, de acordo com um estudo da University of Northern Colorado, dos Estados Unidos, publicado neste ano. Em números absolutos, é um contingente de 70 milhões de pessoas. Entre certos grupos, como atletas, modelos e estudantes da área de saúde, o risco é bem mais alto.

Uma pesquisa feita na Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, com 150 alunas do curso de Nutrição revelou um índice alarmante: 88,7% delas tinham risco de desenvolver comportamento ortoréxico. No experimento, as pesquisadoras Quetsia de Souza e Alexandra Rodrigues mediram o Índice de Massa Corporal (IMC) das participantes e aplicaram testes que avaliavam o nível de distorção da imagem corporal e o risco para desenvolver o distúrbio.

Entre blogueiros fitness e seus seguidores, os números também são altos, segundo a nutróloga Maria del Rosário, coordenadora do Departamento de Transtornos do Comportamento Alimentar da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran): “Esse tipo de publicação chama pessoas com propensão a desenvolver transtornos alimentares.”

Preocupada com a explosão do fenômeno, a Abran criou oficinas para treinar médicos de diferentes especialidades para identificar, o mais cedo possível, casos em que a preocupação com alimentação saudável tenha se transformado num comportamento obsessivo. Como outras desordens psiquiátricas, os distúrbios alimentares se manifestam de forma misturada. A anorexia, por exemplo, pode ter padrões ortoréxicos: a pessoa restringe a alimentação a alimentos saudáveis e com baixas calorias para perder peso. Em geral, a distorção da imagem corporal acompanha o quadro. Bratman alerta que esses seriam os casos mais graves.

É o que parece ter acometido a estudante de Nutrição Anna Júlia Moll. Ela nunca foi diagnosticada por um profissional, mas, durante uma aula sobre transtornos alimentares, viu-se descrita. “Quando aprendi sobre a ortorexia na faculdade, me reconheci em tudo”, lembra. No período de um ano e meio em que se limitou a uma dieta à base de frango, legumes, sem laticínios ou doces, Anna perdeu 36 kg e chegou aos 50 kg distribuídos pelos seus 1,66 metro. A obsessão com comida influiu até na escolha do curso universitário, a Nutrição.

“Na ortorexia, o pensamento sobre alimentos saudáveis se torna o tema central em todos os momentos do dia”, descreve Bratman.

DISTÚRBIO ACEITO

Identificar a ortorexia não é fácil. Em um mundo atolado de pizza e lasanha congelada, dar preferência a alimentos frescos e sem aditivos é algo bem-visto e até invejado por quem não consegue dar tanta atenção ao que põe na boca. Isso explica o sucesso dos perfis fitness no Instagram. Nutricionistas viraram celebridades nas redes sociais com dicas de como pesar as refeições ou comer batata doce antes de ir para a academia.

A própria ciência — e a divulgação feita pelo jornalismo — também tem sua parcela de culpa. Cada dia sai um novo estudo sobre comida, ora demonizando, ora celebrando determinado alimento. O caso do ovo é exemplar. A Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês) recomenda que uma pessoa não coma mais que 300 mg de colesterol por dia. Um ovo contém 185 mg de colesterol, logo não é indicado ultrapassar dois ovos por dia, certo? Não exatamente. Segundo a diretriz da AHA, o colesterol que você ingere vai direto para a corrente sanguínea, mas não é bem assim que funciona.

O corpo tem uma espécie de termostato, regulado pela genética, pelos hábitos e pelo estresse, que determina o quanto ele produzirá de colesterol por dia. É curioso, mas a dieta quase não tem participação nisso. Não à toa, um estudo de 2013 mostrou que até três ovos por dia, o equivalente a mais de 550 mg de colesterol, ajudam a perder peso, reduzir inflamações e — pasme — a manter os níveis de colesterol sob controle. Outra pesquisa, essa de 2006, não evidenciou qualquer associação entre consumo de ovos e risco de doenças coronarianas. Isso porque, na verdade, o colesterol é um dos nutrientes mais importantes do corpo: está presente em cada célula e participa da produção hormonal.

Isso não quer dizer que você deva comer uma dúzia de ovos por dia, apenas que você deve consumi-los sem medo. O mesmo ocorre com o leite, o café e a bola da vez, o glúten. Se você não tem nenhuma alergia, intolerância ou problema intestinal, não há por quer eliminar qualquer ingrediente da dieta.

“O corpo precisa de uma variedade de alimentos e não consegue fazer substituições fáceis”, diz a nutróloga Maria Del Rosário, da Abran.

Em geral, a ortorexia obedece a um ciclo. No início, vem a preocupação em comer de forma saudável e correta. Depois, o indivíduo começa a restringir alguns alimentos ou grupos alimentares inteiros. Em seguida, a obsessão se instala: a pessoa só pensa em comida o dia inteiro e passa a negar convites ou evitar lugares onde possa cair em tentação. A estudante Anna Júlia Moll passou a rejeitar convites para aniversários, encontros com amigos ou jantares em família. “Sinto que perdi a minha adolescência”, desabafa.

No auge do transtorno, porém, Anna sentia-se motivada. “Eu comia de forma saudável e estava perdendo peso. Isso que importava”, contou. Ela ia religiosamente na academia e dormia “as oito horas por noite necessárias para o músculo descansar”. Seguia dezenas de modelos e blogueiras fitness no Instagram e, quando as restrições alimentares a deixavam triste, olhava a timeline e enchia-se de autoconfiança para continuar na linha.

Os especialistas não têm dúvidas sobre a influência das redes sociais no avanço dos transtornos alimentares. Pelo menos dois estudos mediram o impacto dos perfis fitness na autoimagem e no risco de ortorexia. Um deles, feito por pesquisadores do University College de Londres, revelou uma associação entre o uso intenso do Instagram e o transtorno. A prevalência entre os usuários da rede social foi de 49% contra 1% da população em geral. Em outro estudo, realizado pela universidade australiana Macquarie, 150 estudantes disseram que se comparar com outras mulheres nas redes sociais as deixava infelizes e, ao mesmo tempo, motivadas a fazer dietas loucas.

O fato de estar em sintonia com a cultura tem um efeito negativo no tratamento da ortorexia. “Familiares e amigos demoram a se dar conta. Por isso, o comportamento [de fazer restrições alimentares severas] é tolerado”, diz a psiquiatra Miriam Garcia Brunstein, coordenadora do Programa de Transtornos Alimentares em Adultos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. É aí que mora o problema. Poucos contestam alguém que usa como argumento a saúde para justificar as escolhas alimentares. Em determinados grupos, quem come junk food ou alimentos tidos como “não saudáveis” é hostilizado.

Foi o que ocorreu com a blogueira norte-americana Jordan Younger. Jordan alçou fama na internet quando adotou o veganismo como estilo de vida. Em nove meses, ela amealhou 300 mil fãs no seu blog The Blonde Vegan, onde pregava os benefícios da yoga, do mindfulness e da dieta raw e vegana, em que excluía não só alimentos de origem animal como os cozidos.

“Comecei a viver em uma bolha de restrição. Totalmente à base de plantas, sem glúten, sem óleo, sem açúcar refinado, sem farinha”, declarou.

Em junho de 2014, Jordan percebeu que a dieta ultrarrestritiva estava a deixando doente. Foi então que escreveu o texto Por que estou me afastando do veganismo — que acabou se transformando no livro Breaking Vegan (Quebrando o Veganismo, em tradução livre).

Foi o suficiente para sofrer represálias. Um dos leitores raivosos escreveu: “Bem, se todos nós podemos ‘fazer o que queremos’, eu estarei aí para assar a sua família mais tarde”. Jordan se manteve firme na mudança e trocou o nome do blog para The Balanced Blonde (A Loira Equilibrada). “Estou avaliando minha dieta e dizendo adeus aos rótulos”, escreveu. “Isso é terrível para mim e estou totalmente fora da zona de conforto depois de viver tanto tempo sob o guarda-chuva do veganismo. Mas faço isso para ao bem da minha saúde física e mental”, contou, falando sobre como se livrou da ortorexia.

MUITO ALÉM DOS NUTRIENTES

Demonizar certos alimentos faz parte do comportamento dos viciados em comida saudável. Carne vermelha, comidas processadas, embutidos, farinhas brancas e açúcar costumam encabeçar a lista proibida. É claro que, em excesso, eles podem fazer (muito) mal — o açúcar, por exemplo, é tão viciante quanto a heroína. Os embutidos, quando consumidos diariamente, podem aumentar em 18% o risco de câncer de cólon. Mas bani-los do cardápio também traz prejuízos nutricionais e emocionais. Isso porque comer não é apenas mastigar um punhado de nutrientes. A comida, bem como a forma como a consumimos — muitas vezes, ao lado de pessoas que amamos —, mexe com o humor, impacta a inteligência e interfere nas relações sociais.

Veja o caso da carne vermelha. Um estudo da Universidade Harvard publicado em 2015 revela que podemos atribuir às doses maciças de proteína animal o fato de sermos seres pensantes hoje. Sua entrada na dieta há 2,6 milhões de anos foi decisiva para o crescimento do cérebro humano. Isso porque frutas e vegetais, apesar de ricos em vitaminas, são pobres em calorias e insuficientes para as altas demandas de energia do cérebro. A outra alternativa seria extrair calorias das raízes. O problema era mastigar um aipim cru — tarefa difícil até para os Australopithecos, parentes dos chimpanzés (o hábito de cozinhar os alimentos só chegou bem mais tarde, 500 mil anos atrás).

Para saber quanto tempo nossos antepassados pouparam ao incluir a carne na dieta, os biólogos Katherine Zink e Daniel Lieberman recrutaram 24 pessoas e deram a elas três tipos de vegetais, como cenouras, inhames e beterrabas, e um tipo de carne vermelha. Tudo cru, é claro. Eles calcularam então a quantidade de energia gasta para mastigar e engolir as amostras inteiras, e descobriram que ingerir a carne exigia entre 39% e 46% menos força do que mascar as raízes.

Logo, uma dieta com um terço de proteína animal “poupou” 2 milhões de mastigações por ano, uma redução da ordem de 13% no esforço e na queima de calorias apenas no jantar. Na prática, essa economia não significava mais horas livres no dia, mas muito mais calorias ingeridas em menos tempo. Resultado: passou a sobrar energia para o desenvolvimento desse órgão altamente complexo que carregamos sobre o pescoço. Zink e Lieberman também acreditam que o fato de não precisarmos mais de dentes afiados para rasgar carcaças de animais silvestres resultou em mandíbulas menores e órgãos de fala mais avançados. Ponto para a carne.

Embora não precisemos mais de um churrasco por dia para alimentar nossos cérebros em desenvolvimento, a carne vermelha, junto com peixes gordos, como o salmão, continua encabeçando a lista dos alimentos que fazem bem para a cuca. “Pessoas que eliminam a carne vermelha podem desenvolver demência por causa da falta da vitamina B12”, alerta a nutróloga Maria del Rosário. “Geralmente, medicamentos e problemas intestinais podem prejudicar a absorção de B12, mas estamos detectando isso em ortoréxicos”, alerta.

“Nossa fisiologia determina que nossa dieta seja variada, e não restritiva”, diz a psiquiatra Miriam Brunstein.

As razões são evolutivas. Segundo a neurocientista britânica Nicole Avena, o cérebro humano evoluiu ao longo dos séculos para prestar atenção a sabores novos e diferentes. Primeiro, para identificar alimentos estragados — comer algo ruim podia pôr a vida em risco. Segundo porque, quanto mais variada é a nossa dieta, maiores são as chances de obter todos os nutrientes de que precisamos. Por causa disso, nosso cérebro se move por novidades gastronômicas — é por isso que perfis de alimentação no Instagram e programas de culinária na TV fazem tanto sucesso. Só o que é diferente e saboroso consegue fazê-lo liberar a dopamina, o neurotransmissor do prazer. Se você comer a mesma coisa todo santo dia, o organismo se acostuma e deixa de se sentir satisfeito e feliz após a refeição.

Depois de passar um ano e meio à base de frango, batata-doce ou arroz integral e brócolis, Anna Júlia sentiu os cabelos e unhas enfraquecerem e parou de menstruar durante quase seis meses. “Hoje não posso nem sentir o cheiro de batata-doce e arroz integral”, diz. A restrição compulsória dos laticínios também a fez desenvolver uma intolerância à lactose que não tinha.

Nem o vilão açúcar pode ser banido por completo. Os doces, por exemplo, têm papel relevante não só para o paladar — quem não fica feliz diante de um bolo no meio da tarde? —, mas para estreitar laços sociais: você divide uma torta no aniversário dos amigos ou uma sobremesa no almoço de família. Se corta o açúcar, fica difícil encontrar ocasiões sociais tão afetivas ao compartilhar um brócolis. Antropólogos não têm dúvidas de que a comida foi um dos fatores que nos transformaram em animais sociais.

Imagine nossos antepassados há alguns milhões de anos, antes do invento da agricultura. Para não morrer de fome, eles precisavam colher raízes e caçar animais silvestres, duas tarefas difíceis de serem feitas por um homem só. De acordo com os estudos da equipe da antropóloga Susanne Shultz, da Universidade de Oxford, a necessidade de buscar comida foi um dos primeiros estímulos à formação de bandos maiores. Compartilhar a presa também fazia todo o sentido. Ninguém conseguia comer um animal inteiro sozinho e não havia geladeira para guardar os restos para mais tarde. Depois de matar um bicho, era preciso cortá-lo em pedacinhos, fazer fogo e assar a carne antes do ataque de moscas e bactérias. Fazia-se, então, uma fogueira, e essas reuniões em volta das brasas forjaram a linguagem, as crenças e, em última análise, as civilizações. Esse comportamento segue no nosso DNA. Ainda hoje, a comida é o maior (e mais saboroso) pretexto para confraternizar.

Anna Júlia percebeu que era hora de parar com as restrições à mesa quando conheceu o namorado. “Fiquei pensando que ele ia me achar uma chata ao me convidar para ir ao cinema e eu recusar a pipoca”, lembrou. “O dia mais difícil foi quando aceitei um convite para ir a um churrasco na casa de amigos dele. Eu sabia que teria de comer batata e carne. Mas a ideia de ser taxada de fútil era pior.” No início, Anna sofreu para se livrar do controle total sobre o que ingeria. “Fui e comi churrasco com a consciência pesada. Sonhei a noite inteira com a salada de batata”, lembra. Mas o medo de desagradar o namorado funcionou como mola propulsora. No dia da entrevista, uma sexta-feira à tarde, ela estava feliz porque antes do almoço tinha comido um bolo que sua avó havia preparado. “Comida é não é só caloria. É afeto, é emoção”, disse, aliviada com a nova fase.

1% da população mundial sofre de ortorexia
University of Northern Colorado Fontes: Transtornos Alimentares; Sudden Death in Eating Disorders; Mortality Rates in Patients with Anorexia Nervosa and Other Eating Disorders — A Meta-analysis of 36 Studies

Outros transtornos associados à comida

Aprenda a reconhecer alguns dos mais comuns

Anorexia nervosa: É marcada por uma restrição alimentar progressiva, com a eliminação dos alimentos considerados “engordantes”. Em geral, os pacientes têm uma distorção da imagem corporal. Leva à morte até 20% das vítimas.

Bulimia nervosa: Episódios de compulsão alimentar acompanhados de sentimento de culpa. Para manter o peso, o indivíduo recorre ao vômito autoinduzido e/ou uso de laxantes. Afeta entre 0,9% e 4,1% de adolescentes e adultos jovens.

Síndromes atípicas ou parciais de anorexia e de bulimia: Assemelham-se à anorexia e à bulimia, mas não preenchem totalmente seus critérios ou seus sintomas não são suficientemente graves para definir o diagnóstico. Metade dos casos evolui para quadros completos.

Pica: É um transtorno de alimentação típico da primeira infância. Consiste na ingestão persistente de substâncias como terra, cabelo e até fezes de animais, que não fazem parte de uma dieta culturalmente aceita.

Transtorno de ruminação: Episódios de regurgitação repetidos que podem levar a complicações médicas como desnutrição, perda de peso, desidratação e, nos casos mais graves, até à morte.

Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP): Os pacientes, na maioria obesos, apresentam episódios de compulsão alimentar, mas não utilizam medidas extremas para evitar o ganho de peso, como os pacientes de bulimia nervosa.

Os sinais da ortorexia

O médico Steven Bratman, inventor do termo ortorexia, criou um teste para saber se a preocupação em comer virou obsessão

Se você é entusiasta da alimentação saudável e concordar com qualquer uma das afirmações abaixo, pode estar desenvolvendo um transtorno alimentar

1. Perco muito tempo pensando, escolhendo ou preparando comida saudável e isso interfere em outras dimensões da minha vida, como o amor, a criatividade, a família, a amizade, o trabalho ou a escola.

2. Quando como um alimento que considero não ser saudável, me sinto ansioso, culpado, sujo ou contaminado — só estar perto desse tipo de comida me perturba e sou crítico em relação às pessoas que o consomem.

3. Meu senso pessoal de paz, felicidade, alegria, segurança e autoestima dependente excessivamente da minha alimentação ser íntegra e correta.

4. Às vezes, gostaria de relaxar na minha autoimposição de sempre “comer bem” em ocasiões especiais, como um casamento ou jantar, mas não consigo.

5. Ao longo do tempo, tenho constantemente eliminado mais alimentos e expandido a minha lista de normas alimentares numa tentativa de manter ou melhorar os benefícios para a saúde.

6. Seguir minha teoria de alimentação saudável me fez perder mais peso do que a maioria das pessoas diria que é bom para mim, ou causou outros sinais de desnutrição, como perda de cabelo e falhas no ciclo menstrual.

*Se você tem uma condição médica em que não é seguro abrir exceções na dieta, ignore a questão.

Fonte: The Authorized Bratman Orthorexia Self-Test (Revista Galileu)

As diferenças hormonais entre homens e mulheres

O homem como referência é mais alto e mais pesado, seu esqueleto pesa mais, possui maior volume de massa muscular e menor porcentagem de gordura corporal em relação à mulher.

Essas diferenças são esclarecidas na maioria das vezes por fatores biológicos e hormonais. Durante a puberdade, a hipófise anterior começa a secretar os hormônios folículo estimulante (FSH) e luteinizante (LH). Nas mulheres, quando quantidades normais de FSH e LH são secretadas, os ovários se desenvolvem e inicia a secreção de estrogênio. Nos homens, esses hormônios ajudam no desenvolvimento dos testículos que secretam a testosterona.

O estrogênio tem influência significativa sobre o crescimento mediante alargamento da pelve, estimulando o desenvolvimento das mamas e aumentando a deposição de gorduras, particularmente nas coxas e no quadril. Esse aumento de gordura nessas regiões são decorrentes da atividade de uma enzima chamada lipase lipoprotéica. Ela controla o armazenamento de gordura no tecido adiposo.

Quando a atividade desta enzima é elevada, os triglicerídios são hidrolizados e transportados para o interior dos adipócitos (células de gordura) e acumulados.
A testosterona gera o aumento na formação óssea, a qual acarreta ossos mais largos, assim como: aumento da síntese protéica com aumento da massa muscular. Responsável pelas características masculinas, funções sexuais e desempenho.

A concentração plasmática de testosterona varia de 300 a 1.000 mg/dl e a taxa de produção diária de 2,5 a 11mg. Nas mulheres esse hormônio também é produzido pelas glândulas supra-renais e ovários, porém em menores quantidades 0,25 a 1mg/dia.
As mulheres são menos prejudicadas que os homens, no quesito barriga saliente. Por determinações hormonais os homens acumulam maior volume de tecido adiposo na barriga. Para elas, perder gordura localizada no abdome é mais fácil que diminuir medidas nos quadris e culotes.
Um estudo britânico sugeriu que acumular gordura na região dos quadris, bumbum e coxas pode ser saudável, protegendo contra problemas cardíacos e metabólicos.
Segundo os pesquisadores da Oxford University, essa proteção proveniente da gordura no quadril seria explicada porque nessa região a gordura absorve ácidos graxos e contém um agente anti-inflamatório que impede a obstrução das artérias.

O artigo publicado na revista científica International Journal of Obesity afirma ainda, que ter bumbum grande é melhor que acumular essa gordura na região da cintura que não oferece esse tipo de proteção.

Fonte: Sauin